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Cinzas do passado que queimam.

Cinzas do passado que queimam.

Que queimaram e que ainda queimam fortemente.

As tribulações na Igreja de Deus

Capítulo1: O que significou Judas Iscariotes e Adão e Eva.

Teria sido imprescindível um traidor para que Jesus tivesse sido preso e morto?

Existe destino?

A história de Adão e Eva reproduzida nos dias de hoje.

No Evangelho, tudo começou com Maria e seu amado esposo José, peregrinos na pequena Belém.  Ao procurarem estadia, o casal foi rejeitado em todas as estalagens principalmente em decorrência da notável gravidez de últimos dias de Maria e assim, na urgência, o casal foi obrigado a encontrar um abrigo, um teto, no caso um estábulo, no qual nasceu o Filho de Deus feito homem. Os donos das estalagens e pensões não queriam responsabilidades tais, e nem por longe chegaram a imaginar que estavam rejeitando em sua casa o próprio Messias de Deus, o Salvador da Humanidade.

As cinzas se queimaram, intensamente, para as inocentes vítimas no episódio Herodes, que mandou sacrificá-las julgando estar Jesus entre elas.

As cinzas se queimaram, também, nas tribulações ocorridas nas muitas semanas da viajem forçada de José, de sua amada mulher Maria e de seu filho Jesus pelos desertos a caminho do Egito, fugindo da maldade do homem, como também na viajem de regresso.

As cinzas continuaram se queimando, também, quando os príncipes, escribas e fariseus fizeram tudo o que puderam para barrar Jesus e sua Nova Mensagem.  Jesus e sua Mensagem Renovada agrediam os usos e costumes dos homens do templo e pior, os freqüentes e fantásticos milagres de Jesus arrebatavam membros do templo que estiveram sempre sob a autoridade deles. Tais fariseus preferiam as velhas trevas em que viviam a trocá-la pela Nova Luz. Eles rejeitaram a Nova Mensagem de Deus a favor de sua antiga tradição e das honras, mordomias e prestígio mundano provenientes dos seus altos cargos no templo.

Segundo a Torah, o Messias viria para resgatar Israel da opressão, sendo assim, os judeus daquela época pastoril entenderam que o Messias teria de vir como um grande rei que os libertaria do secular jugo romano e faria Israel viver o domínio e a riqueza dos tempos de Salomão.

Na verdade, Jesus nunca se interessou em intervir nas coisas materiais da Terra, nem em política, nem mesmo no grande problema do domínio romano na Judéia. Nunca pronunciou uma só crítica condenatória quanto às atividades romanas. Não foi para isso que havia vindo do Reino de Deus. Por isso, quando lhe perguntaram sobre a moeda de Tibério Júlio César Augusto, ele simplesmente respondeu que deviam dar as coisas de César para César e as coisas de Deus para Deus. Concedendo à sua Igreja o exemplo, nesse momento, Jesus revelou-se desvencilhado da política dos homens e elegeu como muito mais importante as coisas espirituais que as do mundo, por mais importantes que pareçam.  Naquele momento, Jesus condenou a futura aliança da Igreja com o poder mundano que viria a acontecer a partir do século IV, fato esse que nas gerações futuras acabou por lançar por terra a verdadeira identidade de Cristo na Igreja. Essas cinzas que se queimaram no passado, continuam a se queimar até hoje e pelo visto continuarão se queimando até o Grande Dia da Volta de Jesus. O dia D, o dia da Ressurreição de todos os mortos, a partir de Adão.

As cinzas se queimaram no episódio Judas Iscariotes (Yehudhah ish Qeryoth). Escreveram alguns que Judas foi mais herói que vilão, pois, segundo eles, vendo que esforço algum fazia Jesus para  resgatar Israel das mãos dos romanos, expulsando-os da Judéia, até mesmo destruindo-os e elevando o povo aos anos de grandeza e domínio dos tempos de Canaã, tentou “forçar a barra” para tentar tirar Jesus da sua aparente inoperância. Dizem eles que Judas entendeu que se Jesus se visse acuado pelos romanos, acabaria por invocar as legiões de anjos celestes que colocariam em fuga os romanos, ou mesmo acabando com eles, o que seria o início da restauração de Israel. Assim estava profetizado:

“O seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino.  Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora  e para sempre”. Promessas do Senhor Deus, em Isaías, 9.6.

“Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que cumprirei a boa palavra que proferi à casa de Israel e à casa de Judá. Naqueles dias e naquele tempo, farei brotar a Davi um Renovo de justiça; ele executará juízo e justiça na terra. Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém habitará seguramente; ela será chamada Senhor, Justiça Nossa”. Jeremias, 33.14.

Quem ler Isaías, capítulo 61, terá idéia de como era esplendoroso o sonho israelita.

“Senhor, é porventura agora que ides restaurar o reino de Israel? Jesus respondeu-lhes:    “Não vos pertence saber os tempos nem o momento em que o Pai fixou em seu poder”. Atos, 1.6.

“Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam”. Lucas, 24.21, no episódio de Jesus e os discípulos de Emaús.

“…para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam”. Zacarias, no Evangelho, no oitavo dia de João Batista, em Lucas, 1.71.

Mas Jesus explicou bem diferente a Restauração de Israel:

“Não virá o Reino de Deus com visível aparência… porque o Reino de Deus está dentro de voz”. Lucas, 17.20.

Então, segundo alguns escritores, Judas teria sido mais herói que vilão, pois teria defendido sua causa patriota a favor de Israel. Teria sido Judas um político atuante e um patriota acima de tudo?  Será? Acontece que essa tese é falsa, pois o Evangelho nos mostra um Judas Iscariotes gatuno; um homem mais amante do dinheiro que de sua pátria ou de Jesus:

“Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para traí-lo, disse: Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres? Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava”. João, 12.3.

Judas Iscariotes teve à mão todas as melhores condições para que se convertesse. Altamente privilegiado, Judas viveu por três anos ao lado do Mestre, junto ao Filho de Deus feito homem, assistindo a todo tipo de milagres que incontestavelmente legitimaram a Jesus como o Messias prometido. Ouviu as pregações dele, as inefáveis promessas como em João, 14.1 e 2, tudo absolutamente pertinentes à Nova Mensagem de Deus para a Humanidade, e só não se converteu porque não quis. Judas lançou por terra toda essa grandiosidade de Deus citada, preferindo apegar-se às coisas materiais.

Vamos ver o episódio Judas e a traição de Jesus, sob vários aspectos:

O que significou Judas? Teria Jesus escolhido Judas já sabendo de antemão que o iria trair? Teria o Senhor Deus criado Judas já condicionado a trair Jesus?

Está Escrito que tanto os anjos como os homens e mulheres foram criados com autonomia de procedimentos, ou seja, com livre arbítrio para realizar o que quiserem segundo a sua vontade e sua capacidade, e assim, se o Criador tivesse criado Judas já com a maldição de trair a Jesus,  ele poderia ser visto por nós como um mero incoerente. Da mesma forma, se Jesus tivesse escolhido Judas a fim de traí-lo, teria sido, também, um incoerente e Judas teria de ser inocentado de quaisquer culpas por ter traído a Jesus. É ou não é?

Afinal, acaso Jesus precisaria de um traidor para que fosse entregue á sanha dos fariseus? Ora, jamais! Bastaria que Jesus passasse a circular livremente por Jerusalém depois de cumprido seu tempo que teria sido capturado incontinenti, julgado e morto, segundo as profecias.

“Desde aquele dia, resolveram matá-lo”. João, 11.53.

Depois da ressurreição de Lázaro, os fariseus, escribas e príncipes do templo ficaram altamente alarmados: O gigantesco prodígio realizado por Jesus ao ressuscitar um morto de quatro dias havia tirado da tradição judia mais uma multidão a favor da “seita do Nazareno”. Sendo assim, na ótica dos homens do templo era preciso anular Jesus e tudo o que ele significava antes que as coisas piorassem, mais ainda, de outra forma o domínio religioso deles imposto ao povo pela tradição se desmancharia.

“Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele. Outros, porém, foram ter com os fariseus e lhes contaram dos feitos que Jesus realizara. Então, os principais sacerdotes e os fariseus convocaram o Sinédrio; e disseram: Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos crerão nele; depois, virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação”. João, 11.45 a 48.

Então, não teria sido preciso Judas algum para que Jesus tivesse sido entregue aos judeus e depois imolado.

Por várias vezes, Jesus estivera nas mãos dos fariseus que queriam matá-lo, mas ele havia se safado de modo misterioso, pois como nos revelam o Evangelho não havia chegada a sua hora, mas depois da última ceia e das despedidas de seus amigos ele sabia que chegara a sua hora, e o personagem Judas o traiu segundo a vontade dele. Judas poderia ter-se arrependido de sua intenção logo após a última ceia. Mas sem que tivesse acontecido a traição de Judas, Jesus bem poderia ter circulado pelas principais ruas de Jerusalém e preso naquela mesma noite.

Se Judas tivesse sido criado pelo Senhor já com a sina da trair Jesus a incrível teoria do destino seria uma verdade. Como dizem os ingleses: no fate: destino não existe. Se Adão e Eva tivessem sido criados por Deus já com o destino de comerem da árvore proibida, a sabedoria do Criador poderia ser contestada. O mesmo se deu com Lúcifer, o mais brilhante dos anjos de Deus.

Adão e Eva (assim como todos os viventes) foram criados ansiando por Deus em seu coração, mas com a mãozinha sempre presente de Satanás que lhes despertou a cobiça, como também por conta de terem sido criados com a capacidade de poderem escolher entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, acabaram por sucumbir ao optarem pelo mal. Isso invalida a teoria do tal destino.

Há algum tempo, aqui em São Paulo, na suntuosa Avenida Paulista, às 8h30, uma moça caminhava pelas largas calçadas. Mas já bem próxima de seu local de trabalho, do alto de um dos edifícios em construção caiu um carrinho de ferro de construção sobre a cabeça dela. Ela morreu instantaneamente.

Ora, pergunto aos que crêem em destino: Aquela jovem foi criada por Deus já com o destino de morrer daquela maneira trágica, naquele local e naquela hora? Não! A jovem morreu porque cruzou o lugar errado na hora errada, como dizem, e tudo não passou de uma infeliz fatalidade.  Deus criou a tudo, mas ele não fica a todo momento interferindo no curso das coisas do mundo. Tudo segue segundo as leis régias da Natureza criada por ele.

Vamos considerar sobre isso? Dizem os descrentes: Onde estaria Deus quando tal tragédia ocorreu, matando milhares de inocentes? Onde está Deus que não se importa com tanto sofrimento na terra, com tantos inocentes sucumbindo? Onde está Deus que não socorre tantas milhares de pessoas só pele e osso ao longo do Rio Níger?

Quanto à jovem da Avenida Paulista, pergunto eu: o Deus da bondade e da misericórdia que ama seus filhos, sua Criação não poderia ter agido para que aquela moça se adiantasse ou se atrasasse seus passos no mínimo um só metro? O descuido de um operário aliado á lei da gravidade provocaram a tragédia.

Eu mesmo respondo: Se Deus tivesse interferido para que aquela moça não fosse envolvida naquela fatalidade, teria de agir assim com TODOS OS MORTAIS. Dessa forma, Hitler não teria assassinado um só israelita, pois Deus estaria lá para evitar a grande tragédia. Nas guerras não pereceria um só soldado. Os terroristas suicidas não causariam mais nenhuma morte. Nos acidentes e incidentes de automóveis não morreria uma só pessoa, por isso os motoristas abusariam muito mais da velocidade. Os aviões nunca mais cairiam, sendo assim, não se precisaria mais as frequentes revisões nos aviões nem de todas as medidas de segurança. Não se precisaria mais de polícia, pois bandido nenhum conseguira nos matar.  Os esportes perigosos poderiam ser muito mais perigosos e abusados, pois os atletas estariam seguros pela interferência de Deus. Não teríamos de nos preocupar mais com a camada de ozônio, pois Deus protegeria um a um dos raios ultravioletas. Nos terremotos, tempestades, incêndios e maremotos não pereceria uma só pessoa. Nem os papas católicos teriam conseguido executar pelo fogo e enforcamento centenas de milhares de “infiéis” da Igreja. Os mendigos não morreriam mais de fome ou de frio, pois Deus estaria com eles. Os suicidas kamikaze não teriam conseguido afundar um só navio com americanos. Os americanos não teriam assassinado uma só pessoa em Hiroshima e Nagasaki, com as duas bombas atômicas em 6 de agosto de 1945, pois Deus estaria com aquelas populações das duas cidades, da mesma forma que estaria com aquela moça da Avenida Paulista e por aí afora.

Enfim, se Deus interferisse em todos os momentos para evitar males que ocorrem a cada segundo pelo mundo, quase todos pela culpa do homem ganancioso, prevaricador e omisso, a Terra seria um paraíso! Poderíamos abusar de todos os perigos  e esnobar da segurança, pois Deus e seus anjos estariam por todo o tempo nos protegendo individual ou coletivamente!

Notaram? Deus NÃO PODE INTERFERIR NA NATUREZA a todo momento, mas pode interferir quando é invocado pelos crentes para ativar o seu Poder através da fé, da fé verdadeira que têm somente os puros de coração, os passivos, os que guardam os Mandamentos de Deus, aqueles que crêem e confessem ser Jesus o Senhor, e vivem seu Evangelho!

Quanto a isso, para melhor entendimento, eu costumo comparar Deus a fios elétricos de alta tensão. Os fios ficam lá no alto, parecem inertes, mas carregam uma força poderosa que movimenta até grandes cidades.  Essa força é poderosa, mas também invisível como Deus, e só podemos nos beneficiar da energia se nós ativarmos os fios elétricos, indo até eles e encostando um motor elétrico.

Assim é Deus. Parece estático quanto às coisas da Terra. Faz a Natureza seguir seu curso, mas aos que o buscam com fé podem ativar o poder proveniente dele que faz até interferir no curso da Natureza, que são as realizações de milagres cristãos, o inefável combustível do cristianismo.

Por isso, se um fiel seguidor de Jesus orar pela manhã, com fervor e contrição, pedindo proteção naquele dia para ele e para sua família (e agradecer à noite) apesar de que também os cristãos estão sujeitos a problemas ou tribulações, dificilmente ele e seus familiares se depararão com qualquer tragédia grave ou fatal, ou mesmo cruzarão o lugar errado e na hora errada. Dificilmente tomarão um avião que poderá cair ou um ônibus que poderá capotar pelas ribanceiras.

Assim, Judas Iscariotes agiu segundo sua própria vontade. Na sua ambição de ter, vendeu a Jesus por dinheiro.

Ainda há a observar que Judas escolheu, pessoalmente, o dia em que Jesus seria entregue. Poderia ele não ter entregue a Jesus naquela quinta-feira á noite. Escolhendo esse dia, Jesus foi julgado, condenado e morto no dia seguinte, uma sexta-feira, e como Jesus já tinha profetizado que ressuscitaria ao terceiro dia, acabou por ressuscitar num domingo, um dia de trabalho normal, na época. Se Judas tivesse entregue Jesus aos homens do templo numa quarta-feira, por certo Jesus teria feito com que não fosse morto na quinta-feira, mas na sexta-feira, pois jamais poderia ressuscitar num santo sábado, o dia de descanso e louvor tanto para os judeus da Torah, como para os seguidores de Jesus. Na época, o dia de páscoa era celebrado no sábado e nunca num domingo. Aliás, esse nome “domingo” inventado pelo clero que nunca existiu no Evangelho, mas sim o primeiro dia da semana.

No episódio da ressurreição de Lázaro, quando Jesus bradou: “Tirai a pedra”, esse fato jamais poderia ter acontecido num santo sábado, pois o ato de retirar a pedra demandaria esforço físico não compatível com a santificação do Sétimo Dia observado pelos primeiros cristãos (Lucas 4.16) (Lucas 23.55) (Atos 13.41) (Atos 16.13), isso porque além do grande esforço de remover a pesada pedra que fechava o túmulo de Lázaro, ainda havia o esforço físico para remover o barro seco que vedava o mau cheiro de corpos em putrefação.

Assim, também, em nome da Verdade e do real cumprimento da Palavra de Deus, na sua essência, Jesus nunca poderia ter ressuscitado num sábado, e assim teria de ter ressuscitado num dos seis dias de trabalho da semana, como de fato aconteceu.

Judas não se arrependeu da maneira como se arrependeram os reis Manassés, Davi ou Salomão, pois pendeu mais para o lado de Saul, que também se suicidou (I Samuel 31.40. Ao invés do arrependimento verdadeiro, Judas remoeu-se em perturbações e em remorsos que o levaram ao desespero. As cinzas que se queimaram para ele que acabou por lançar as 30 moedas (que davam para comprar uma propriedade, na época) no chão do templo. Ele não se arrependeu como Simão Pedro que também trairia a Jesus. Pedro não se contorceu em remorsos, mas procurou a graças da bondade de Deus que perdoa os sinceramente arrependidos, sem a mínima necessidade de intermediários humanos de espécie alguma.

“Mas se o ímpio fizer penitência de todos os pecados que cometeu, se passar a guardar todos os meus preceitos e proceder com eqüidade e justiça, certamente viverá e não me lembrarei mais de nenhuma das iniqüidades que praticou”. Senhor Deus, em Ezequiel, 18.21,  nos mostrando que as penitências têm que acontecer aqui na Terra e não num lugar fantasioso, criado pelos homens do catecismo.

“Bem-aventurado o homem a quem Deus não imputará pecado”. Romanos, 4.8.

“Eis que ficaste são. Já não peques mais para não te acontecer coisa pior”. Advertência  de Jesus, em  João, 5.14. Jesus disse o mesmo no episódio da mulher adúltera.

“Eis que ficaste são”. O que significa: A partir de agora, eis que estás livre de teus pecados.

Se Jesus afirmou ao pecador que acabara de ficar são, sem pecado, e sabendo-se que o Senhor não perdoa apenas pela metade, assim não haveria como Deus aplicar-lhe, depois, um castigo como complemento ao perdão. Jesus o havia sarado de seus pecados e, dali pra frente, só dependia do curado a própria salvação dele.

“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã”. Isaías, 1.18

“Também, de nenhum modo me lembrarei de seus pecados, para sempre”. Hebreus, 10.17, que revelam a bondade de Deus.

“Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. I João, 1.9. Confessar ao Senhor, pois no Evangelho não há alusões alguma de o arrependido se confessar a um diácono ou a um bispo, características sacerdotais da época.

Então, não se valendo Judas do perdão de Deus, por escolha pessoal do pecador – que segue ao arrependimento sincero e votos de nunca mais repetir tais pecados -, ele preferiu remoer-se em perturbações, remorsos e, tal como Saul, acabou por suicidar-se.

No caso de Adão e Eva, as cinzas se queimaram para ambos e essas cinzas do passado sempre estiveram a se queimar para nós. Mas não temos o direito de recriminá-los. A respeito disso, criei uma interessante historinha bem ao caso de modo que até uma criança possa entender o pecado do primeiro casal, a expulsão de um Paraíso de sonhos e suas conseqüências milenares.

O Criador os havia avisado das tristes conseqüências se comessem da árvore da vida.

“E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Gênesis, 2.15.

Vamos trazer para os nossos dias o que ocorreu com Adão e Eva:

Numa grande fazenda moravam e trabalhavam marido e mulher, ambos ainda jovens. Não tinham filhos. Trabalhavam havia anos roçando e carpindo o mato entre as plantações, onde as máquinas não entravam. Diariamente, sob os raios de Sol ambos penavam com o calor, com mosquitos, com as longas jornadas de trabalho e com outros problemas do campo. Por isso, viviam a culpar Adão e Eva.

- Se Adão e Eva tivessem obedecido a Deus ainda hoje estaríamos no Paraíso e não neste inferno!

Um dia, o fazendeiro que possuía muitas fazendas, muito gado, muitos veículos, muitos aviões, muitas plantações e  conglomerados de agropecuária, muitas propriedades até nas cidades, soube das freqüentes reclamações daqueles dois empregados.

Em decorrência de seus múltiplos negócios o fazendeiro estava sempre a viajar, mas um dia, descansando na fazenda mandou chamar o casal e surpreendeu-o notavelmente com uma grata notícia:

- Amigos, vocês foram escolhidos entre os milhares de empregados que tenho para receber um prêmio gratuito pelos seus muitos anos de trabalho e dedicação. A partir de agora, vocês vão viver aqui na sede com todo o conforto possível. Serão hóspedes permanentes com acesso livre a todas as minhas propriedades. Vocês terão as melhores vestimentas e adereços e sua vontade será lei sobre todos os meus serviçais.

- A sala de música, a biblioteca, a sala de filmes, o salão de jogos, as piscinas, as saunas, as salas de fisioterapia, de ginástica, a boa cozinha, os bons vinhos estarão todos sempre à sua disposição. E assim, com todas as regalias e com todo o conforto possível creio que serão felizes; Vocês terão acesso até aos meus carros de com motorista e até curtir viagens em meus aviões e helicópteros. Basta ordenar que o piloto levará vocês a belas praias, a Ilhas distantes ou aonde quiserem. Nada, mas nada mesmo lhes faltará. A casa é de vocês e fiquem completamente à vontade.

Como eu disse, todas as portas dessa fazenda estarão permanentemente abertas para vocês, menos uma. Sigam-me.

O fazendeiro levou o casal até o pavimento superior e mostrou-lhes uma dependência cuja entrada tinha uma grossa porta de jacarandá na cor dourada e com um grande ponto de interrogação gravado em baixo relevo.

- Estão vendo aquela porta?

Nesse momento, o fazendeiro olhou fixamente para o casal, e num tom de voz firme e autoritária advertiu:

- Os dois gravem bem o que vou dizer, pois só falarei uma vez:  Esta fazenda toda é agora de vocês. Podem abrir e usar todas as portas de todas as dependências, menos essa cuja porta é dourada. Aconteça o que acontecer, jamais abram essa porta, pois se o fizerem a maldição cairá sobre ambos. Portanto, cuidado! Muito cuidado. Se vocês me desrespeitarem terão de voltar à sua vida antiga novamente”.

A partir daquele memorável dia, ao viverem com todo o luxo e conforto como se fossem príncipes no palácio de reis, a principio ambos não se interessaram pelo quarto misterioso e sua porta dourada. Por meses ambos  viveram plena vida de príncipes: belas viagens, excursões e cruzeiros. Prazerosas pescarias em alto mar. Excelentes refeições nos melhores restaurantes, tudo por conta do patrão. Mas quando ambos se acostumaram àquela vida regalada se lembraram do segredo da tal porta dourada com o sinal de interrogação.  Ambos haviam passado inúmeras vezes frente àquela porta sem nunca se importarem com ela, mas agora o segredo que a encerrava começava a intrigá-los e com o passar do tempo passou a perturbar a mente deles.

Um dia, antes de dormir, o marido perguntou à mulher:

- Que tens? Pareces preocupada. Estás muito pensativa…

- Marido, eu estava pensando no que pode haver por detrás daquela porta dourada…

- Nem penses! Nem penses numa coisa dessas! Ficastes maluca? Tens tudo e ainda procuras confusão? Tu te esquecestes do que disse o patrão? Não brinque com fogo, mulher, pois vais acabar nos queimando!

Em suas freqüentes visitas à cidade, ambos preferiam o conforto de um café, o melhor da cidade, que tinha mesas nas calçadas e uma bela praça defronte acomodando um jardim muito bem cuidado, além de um belo chafariz.

Nesse café fizeram um amigo. Num desses dias, sentados à mesa do café, um jovem belo, cativante e muito carismático, sempre vestido na melhor das modas e com gestos finos que indicavam ter ele nascido na nobreza, aproximou-se da mesa do casal e com um sorriso cativante pediu para sentar-se ao lado deles. O jovem era dotado de plena perfeição corporal; extremamente prestativo e inteligente, arguto a toda prova e demonstrava ser abastado. Logo de cara conquistou a simpatia do casal e se tornaram bons amigos.

Um dia, tanto por conta das bebidas, como também pelos fortes laços de amizade com seu cativante amigo, o casal lhe confidenciou a questão da porta dourada e a gravidade do aviso do patrão que lhes impedia de entrar naquele  quarto misterioso.

O jovem carismático passou a demonstrar genuíno interesse pela narrativa do casal.

- Mas, afinal, o que realmente seu patrão lhes recomendou a respeito daquela porta?

- Ele nos proibiu de abrir aquela porta, aconteça o que acontecer,  pois se o fizermos teremos de vestir trapos e voltar a trabalhar no pesado.

- Mas que cretino esse seu patrão! Digam-me, há quanto tempo o conhecem?

- Há uns 18 anos.

- Pois eu lhes digo que conheço o seu patrão bem mais do que vocês possam imaginar, por isso lhes pergunto: Vocês chegaram a notar que sua imagem, sua silhueta, seu rosto, seu cabelo não mudou nada nesses 18 anos em que o conhecem?

Por alguns instantes ambos permaneceram visivelmente surpresos, tentando absorver a colocação de seu amigo.

- Ora, é mesmo! exclamou a mulher. Vejam só! Nunca havíamos pensado em tal coisa, mas agora que você nos alertou, vejo que tem razão. Até parece que ele não envelhece! Será ele um tipo de Dorian Gray?

- Exatamente, meus diletos amigos! Aí está a coisa toda! Parece-me que seu patrão descobriu a fórmula da juventude. Parece que vai ficar sempre com a aparência de uns 35 anos, quando sei que ele tem muitos, mas muitos anos a mais.

Digo-lhes eu que o segredo está atrás daquela misteriosa porta. Eu mesmo gostaria muito de saber sobre isso. Quem não quer ser imortal? Esse sempre foi o maior desejo de todos os mortais…

O casal ficou aturdido. O personagem amigo lhes deu tempos de reflexão para que meditassem e se recompusessem da surpresa.

- Estão vendo? Todos os negócios que seu patrão realiza se tornam um sucesso com grande retorno financeiro. Creio que o segredo da riqueza dele e da fonte da sua juventude eterna, por assim dizer, estão por trás daquela porta dourada. Por isso mesmo ele não deseja, de forma alguma, que ela seja aberta por vocês ou por qualquer outra pessoa.

O belo personagem amigo deu mais um tempo de meditação ao casal enquanto recebia mais uma dose de uísque da garçonete. Enquanto isso, com um sorriso deveras cativante ele curtia o silêncio perturbador do casal amigo.

- Digo-lhes com toda a certeza: Se vocês abrirem aquela porta misteriosa, por certo, descobrirão os segredos de seu patrão, sendo os principais deles muita riqueza e a fonte da vida plena e duradoura, que talvez nunca se acabe.

O jovem amigo fixou o olhar no casal e mudou o tom de voz:

- Conhecendo seu patrão mais que vocês, digo que se fizerem tudo direitinho ficarão mais ricos que o rei Salomão.

O casal continuou completamente perplexo. Aquelas revelações incríveis pareciam que tinham tudo a ver!

Depois de alguns dias, após o jantar, depois de ambos assistirem aos noticiários da TV, de volta aos aposentos, a mulher espetou o marido de forma forte pela primeira vez:

- Meu bem, que tal a gente abrir aquela porta?

- O que? Ficastes maluca? Sai pra lá, mulher! Perdestes o juízo? Já não tens tudo e agora queres arrumar confusão? Por que arriscar a ter mais? Já temos tudo e ainda queres mais? Lembra-te de onde viemos. Queres retornar àquela vida desgraçada e miserável?

A mulher permaneceu em silêncio enquanto ajeitava sua maquiagem com a ajuda de um espelho portátil, mas depois voltou à carga:

- Sim, temos tudo do bom e do melhor, mas nada temos registrado nas escrituras públicas e, principalmente, estaremos a envelhecer com o tempo…

- Chega, mulher! Nem quero ouvir mais tuas conclusões, pois vais acabar nos metendo em grossa confusão e em grandes apuros.

- Meu bem, eu já tenho 32 anos e você 35, mas daqui a pouco estaremos velhos e enrugados e se temos chance de mudar isso, por que não fazer?

Passaram-se meses. Nesse tempo, a mulher foi tão persistente e seus argumentos foram tão convincentes que o marido que muito a amava e a desejava acabou se rendendo a ela. Um dia, resoluto, ele decidiu-se a abrir a misteriosa porta.

Escolheram um dia em que o patrão havia viajado num dos seus jatos, dispensaram todos os serviçais, menos o seu motorista. Como não havia uma chave que abrisse a misteriosa porta, pediram ao motorista que fosse até a cidade e trouxesse um chaveiro e suas ferramentas. Pediram ao chaveiro que apenas destrancasse a porta, mas que em hipótese alguma a abrisse. Sempre acompanhado pelo casal, o chaveiro obedeceu. Enquanto o motorista levava o chaveiro de volta à cidade, com as mãos trêmulas, depois de entreolharem-se por alguns segundos, o casal girou o trinco e abriu a porta vagarosamente.

Ao ser empurrada a porta que se abria para dentro, de repente ela encostou-se em algo e seguiu-se um forte e ensurdecedor ruído de uma sirene de alarme, seguido do barulho de vidros quebrados espatifando-se ao chão. Vasos a mais vasos de vidro havia sido colocados estrategicamente para que se quebrassem todos se a porta se movesse.

O casal ficou absolutamente assustado, perplexo e desorientado. Ao adentrarem o quarto, perceberam que nada havia naquele quarto senão vasos de vidros espatifados pelo chão. Coloridos vasos de vidro de todo tipo estavam em pedaços.

Depois de terem cortado os fios da barulhenta sirene, servindo-se do motorista que já retornara, correram para a cidade tentando achar vasos de vidro que substituíssem os quebrados, mas em vão. Não havia vasos de vidros iguais aos quebrados.

Na mesma noite, chegou de volta o patrão. Ao encontrá-los percebeu que estavam tensos.

- Que há com vocês? Não se sentem bem?

Depois de alguns instantes de reflexão, agora com o semblante fechado e ríspido, olhando fixamente para ambos o patrão indagou:

- Acaso vocês ousaram abrir a porta proibida?

- Patrão, tentou desculpar-se o marido, minha mulher me tentou tanto que acabei por abrir a porta.

- Raça de fariseus! Não tinham nada, mas passaram a ter de tudo, mas por sua cobiça em ter mais, agora perderam tudo. Amanhã cedo vão voltar à sua cabana e terão de trabalhar duro para pagar seu sustento. Você, mulher, que antes recebia as marmitas  prontas de alimentos na roça, agora vai ter de cozinhar seus próprios alimentos depois do trabalho no campo.  E fica aqui uma severa advertência: Se eu souber que voltaram a criticar nossos pais Adão e Eva, nem que seja uma só vez, nem emprego terão mais.

O próximo capítulo: As cinzas se queimaram na Igreja com o nobre inglês John Wycliffe, século 14, antes clérigo católico, doutor em Teologia, embaixador, professor universitário e o primeiro a acusar os desmandos do clero e a conveniente fuga católica da Palavra Escrita,  e ainda o primeiro a ousar traduzir a Bíblia para uma língua nativa, no caso, a língua  Inglesa. Tudo acompanhado de vastas fontes históricas.

Graça, paz, saúde e muita sabedoria, extensivo aos familiares.

Waldecy Antonio Simões

www.segundoasescrituras.com

 
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Publicado por em abril 27, 2010 em todas

 

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